quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dona Inês-PB. Festa quilombola se transforma em evento político

Por um bom tempo estive orgulhoso por ter em meu município um evento tão diferenciado e original. A festa quilombola.

Participei das duas primeiras edições. Inclusive tocando com o Cantor Neco Lobão.

A terceira festa quilombola, realizada nesta terça-feira (01), na localidade de Cruz da Menina, zona rural de Dona Inês, foi discaracterizada. Se antes havia uma ideia de evento cultural, este ano, não passou de um evento político partidário.

Desde as últimas eleições para presidência da Associação Quilombola, quando Bianca foi eleita, que sinais já apontavam para o que foi presenciado na noite desta terça.

A presidente, Bianca, disse que a prefeitura se negou a contribuir para a realização do evento. Há informações, não confirmadas pela presidente, de que, foram pedidos mais de 20 mil reais ao prefeito. 

O porquê, não sei, o fato é que a prefeitura realizou o evento, tendo o ex-presidente da associação, Sérgio, como coordenador do evento.

Mas isso não foi tudo.

Insatisfeita com a falta de apoio do prefeito Antônio Justino, é o que alega Bianca, um evento paralelo foi realizado, certamente, com o apoio dos líderes peemedebistas. 

Eziélio Show foi a atração da festa organizada por Bianca, apoiada pelos peemedebistas, enquanto que, Paulino e Banda, foi a atração da festa organizada por Sérgio, apoiada pelo prefeito Antônio Justino. As duas festas aconteceram simultaneamente, há menos de 1km.

Não me preocupo em ser mal compreendido. O que fica claro é que com essa divisão quem saiu perdendo foi a comunidade de Cruz da Menina que, deixou de realizar um grande evento. Líderes peemedebistas e o próprio prefeito, não perderam nada com isso, eles só usaram o evento para medir forças. A comunidade sim, esta perdeu.

A comunidade perdeu assim como perdeu quando deixou que o grupo “Negra Dulce” se acabasse, por simples capricho político. Negra Dulce era orginal e nenhum outro é capaz de representar tão bem os valores culturais afros brasileiros.

A cruz da menina é formada, praticamente, por uma família. Não só pela cor, mas estão unidos também pelo sangue. É certo que se dividam por questões políticas partidárias? É certo que deixem de se abraçarem e juntos festejarem uma festa que é feita para celebrar os valores culturais da comunidade? É certo que se olhem como se fossem inimigos, para tão somente agradar líderes políticos? Não amigos. Vocês estão estão deixando ir embora o sentimenro de amizade que por muito tempo habitou esta comunidade. 

Muitas famílias deixaram de participar da festa porque tinham medo de confronto entre os participantes das duas festas. Compreendem o que a divisão causou? Será que tudo isso vale mesmo apena?

Pergunto a Sérgio e a Bianca. Vale mesmo apena essas picuinhas políticas, quando estar em jogo toda a bela história da comunidade?

Não vejo motivo algum para que a festa aconteça em 2012. Vão celebrar o quê? Festejar o quê?

Por Júnior Campos
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