sexta-feira, 18 de março de 2011

Obama alerta para consequências se Gaddafi não cumprir texto da ONU

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira que o ditador líbio, Muammar Gaddafi, deve obedecer os pontos previstos na resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovada no dia anterior. Caso contrário, o líder americano disse que a comunidade internacional poderá impor consequências ao regime líbio.
 
Segundo ele, o objetivo da resolução, aprovada pelo Conselho de Segurança, é fazer com que a violência contra o povo líbio pare. "Todos os ataques contra todos os civis devem parar", afirmou Obama, em discurso na Casa Branca.

O texto autoriza o uso de força para impedir os ataques contra a população civil na Líbia, além de impor uma zona de exclusão aérea sobre o país.
Obama disse que Gaddafi deve interromper o avanço de suas tropas na cidade de Benghazi, no leste do país, considerada a fortaleza dos rebeldes. Além disso, o ditador líbio deve permitir que ajuda humanitária no país.

Para Obama, Gaddafi recebeu diversos alertas para interromper os ataques contra seu próprio povo, mas tem ignorado os pedidos da comunidade internacional. Se nada for feito, há muitas razões para acreditar que o ditador cometerá atrocidades e que milhares de pessoas podem morrer, ele disse.

"Os EUA não procuraram por esse resultado. Nossas decisões têm sido movidas pela recusa de Gaddafi de respeitar os direitos de seu povo e o potencial de mortes em massa de civis inocentes."
 
O presidente americano disse que, caso Gaddafi não cumpra com os pontos da resolução, os EUA poderão se juntar a uma ação militar. O país atuará como "parte de uma coalizão" para fazer cumprir uma zona de exclusão aérea na Líbia se as ações militares não forem interrompidas imediatamente.E le afirmou, no entanto, que os EUA não irão enviar tropas para o país do norte da África.
 
Obama informou que a secretária de Estado, Hillary Clinton, viajará neste sábado para Paris para participar de uma reunião internacional sobre a crise líbia, na qual serão discutidos os próximos passos após a aprovação da resolução da ONU.
 
Mais cedo, Hillary havia dito que é muito cedo para avaliar o anúncio de cessar-fogo feito há algumas horas pelo governo da Líbia e ressaltou que qualquer opção de negociação com Trípoli deve acabar com a saída de Gaddafi do poder.

Hillary afirmou em entrevista coletiva que a situação na Líbia é muito fluída e dinâmica e é difícil avaliar neste momento qual será o resultado da resolução aprovada na véspera pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e do consequente cessar-fogo decretado pelo governo líbio.

"Um esforço diplomático necessário para responder as perguntas e determinar a resolução foi muito intenso nas últimas semanas", disse Hillary.

"O voto por ampla maioria traz o entendimento de que a violência deve acabar", disse a secretária americana. A medida foi aprovada por dez votos a favor, incluindo Estados Unidos, sem nenhum voto contra e cinco abstenções, incluindo o Brasil.
 
"Nós aprovamos a resolução e agora vamos trabalhar para operacionalizá-la".

O governo da Líbia anunciou o cessar-fogo imediato em obediência à resolução do Conselho de Segurança aprovada na noite de quinta-feira e que permite aos países usar a força militar no país africano para proteger os civis. A medida foi patrocinada pela França, Reino Unido e EUA.
 
A aprovação da resolução pela ONU era o obstáculo que os países citavam para não iniciar uma intervenção na guerra que se arrasta há um mês na Líbia, entre as forças leais ao ditador e rebeldes de oposição. Não há um saldo oficial atualizado, mas estimativas de organizações humanitárias falam em até 6.000 vítimas em mais de um mês de confrontos.

Hillary disse que a comunidade internacional não vai se contentar com nada menos do que a retirada total das tropas de Gaddafi do leste líbio, onde elas enfrentam as forças rebeldes.
 
Pouco antes da aprovação da resolução da ONU, as forças de Gaddafi se preparavam para uma grande ofensiva em Benghazi, reduto dos rebeldes.
 
"Nós não seremos impressionados por palavras, nós teremos que ver ação no solo e isso ainda não está claro", disse Hillary. "Nós continuaremos a trabalhar com nossos parceiros na comunidade internacional para pressionar Gaddafi e apoiar as legítimas aspirações do povo líbio".
 
A secretária ressaltou, contudo, que a comunidade internacional deve caminhar "um passo por vez" --aparentemente um recado para a França, que pouco depois da aprovação da resolução, já iniciava seus preparativos e falava em um ataque "em horas".
 
O Reino Unido também já agiu e deslocou seus aviões de guerra para bases próximas e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) também já iniciara seus preparativos para uma intervenção.

REAÇÃO LÍBIA

Horas depois da aprovação da resolução, o ministro de Relações Exteriores líbio, Moussa Koussa, leu um comunicado no qual garante que o grande interesse da Líbia é proteger os civis e criticou alguns itens da medida, como a criação de uma zona de exclusão aérea, que prejudicam a vida dos cidadãos líbios.

"Considerando que a Líbia é membro da ONU, nós aceitamos a resolução e, portanto, a Líbia decidiu por um cessar-fogo imediato e a interrupção de todas as operações militares", disse Koussa. 'Meu país vai fazer o melhor que puder com esta resolução."

Aparentemente ignorando as críticas internacionais pela violenta repressão ao movimento rebelde, o ministro afirmou ainda que o governo oferecerá aos líbios "toda a ajuda humanitária necessária" e que espera que todos os direitos humanos sejam respeitados.

"Nós enfatizamos e concordamos com o artigo [da resolução] que fala da proteção dos civis e da unidade territorial da Líbia", disse o ministro.
 
Koussa reiterou ainda a oferta de Trípoli para que os países e ONGs enviem equipes ao país para verificar de perto as condições do confronto e tomar as decisões certas.
 
Ele disse ainda que a Líbia busca uma solução através do diálogo 'com todos', o que levaria à retomada da paz e segurança ao país.

 
RESOLUÇÃO


A criação da zona de exclusão aérea autoriza o abate de aviões do ditador líbio que decolem para atacar tropas opositoras. Em outras palavras, a ONU liberou o uso da força militar para que a resolução seja respeitada.

A medida endurece ainda o embargo e as sanções contra Gaddafi, seus familiares e círculo mais próximo de colaboradores implementadas no mês passado. Bens e fundos de investimento do ditador e sua família na Suíça e na União Europeia há haviam sido congelados semanas atrás.

Os Estados-membros da ONU podem agora adotar "todas as medidas necessárias" --o que incluiria ataques aéreos-- para "proteger os civis e as áreas povoadas por civis sob ataque na Líbia, incluindo Benghazi".

O texto, contudo, exclui a presença de "qualquer força de ocupação estrangeira de qualquer tipo, em qualquer parte do território líbio".

A resolução foi aprovada por dez votos a favor (incluindo EUA, França e Reino Unido), nenhum contra e cinco abstenções --Rússia, China, Alemanha, Índia e Brasil.

O Brasil alegou temer que a resolução resulte em mais confrontos e disse defender uma solução pacífica aos confrontos.

Com Folha de São Paulo
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