domingo, 22 de maio de 2011

Vidas opostas.

Na noite do sábado (21) estive em um aniversário de uma linda jovem que completou seus 15 anos de idade. Toda menina sonha em ter um aniversário daqueles.

A alegria ocupou todas as mesas, não sobrou nenhum banquinho para a tristeza. Mais do que 15 anos; alí se estava comemorando sonhos que, certamente serão verdades; desejos e metas que certamente serão alcançados.

Em meio a toda aquela festa não deixei de lembrar dos que não chegaram aos 15 anos de idade; dos que tiveram suas vidas ceifadas pela violência que cresce de forma assustadora em nossa país, mais precisamente, em nosso estado.

Não deixe de lembrar que enquanto estavam alí comemorando os 15 anos da linda menina; 'Marias' e 'Josés' estavam sendo motivos de comemoração, ao serem inseridos ou vitimados pelo mundo do crime.

Na manhã deste domingo (22) me deparei com um trecho de uma matéria especial do Correio da Paraíba, intitulada "Crianças pobres executam jovens para entrar em gangues".

A matéria faz parte de uma série de reportagens que o jornal escrito e impresso está trazendo. Nela, vidas de crianças que integram o mundo do crime são narradas com muita expressividade e verdade. Verdade que preferíamos não conhecer; verdade que talvez, fosse melhor, ser vista somente em filmes americanos.

Veja o trecho da matéria.

Infância roubada pelas drogas, Daniel, 17 anos, viveu invisível 12 anos da sua vida, em um recanto do Brasil. Aos 13, teve seu 2º batismo. Desta vez, no tráfico. “Eles ‘dissero’: ‘Tu tem que matar esse boy aqui! Vai ser teu batismo no grupo da gente’. Quando entrei na casa, vi aquele cara algemado, no chão, chorando e dizendo: ‘Boy, num faça isso não, pelo amor de Deus! Eu tenho uma filha!’ Já ‘tava’ muito doido, drogado. Lembro que disse pra ele: ‘Quero saber de porra nenhuma, não!’ No começo, tive pena...quando ia desistir de matar ele, o ‘caba’ disse: ‘Apois, num serve pro grupo. A gente vai ter que te apagar’. Aí, eu falei: ‘Apois, é melhor ele do que eu’. Peguei a arma da mão dele e dei dois tiros na cabeça do cara”, revelou.


Imagem ilustrativa da net

Após isso, Daniel ganhou outro nome: “Neguinho” e foi ferrado como bicho, com uma tatuagem: um “D”, que significa Diabo. Uma marca para identificar membros do grupo “Okaida”, de João Pessoa (alusão à organização terrorista islâmica Al-Qaeda). Todos os dias, garotos como ele estreiam no mundo do tráfico. Como no resto do Brasil, na Paraíba, principalmente em cidades da Região Metropolitana da Capital, meninos são “batizados” dessa forma cruel. São crianças pobres executando meninos miseráveis, como “passaporte” para ingressarem em facções. A 2ª reportagem da Série “Geração Perdida” fala sobre o batismo no tráfico e conta histórias reais de meninos como Daniel, que vivem no limite entre a vida e a morte.

Leia reportagem especial completa na edição deste domingo (22) do Jornal CORREIO.


Por Júnior Campos com Portal Correio
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