segunda-feira, 27 de agosto de 2012

SOLÂNEA-PB. Jovem é libertada pela polícia depois de passar três dias em cárcere privado. Acusado foi preso.

Esse homem que você ver na imagem ao lado é Ronivon Manuel Luiz da Silva, de 26 anos de idade, residente na Rua Pedro Segundo de Almeida, em Solânea. O jeito sereno, calmo e tranquilo pode enganar alguém, mas na verdade, se trata de um criminoso frio e calculista. Um psicopata, diria um especialista.

Roni, como é mais conhecido o presidiário que, cumpre pena no regime semiaberto, mudou o cotidiano de uma família, durante o fim de semana, e mais que isso, marcou profundamente, a vida de uma jovem, de apenas 20 anos de idade.

E.S.M. de 20 anos de idade, que reside na localidade Chã de Tereza, em Solânea, cidade localizada no brejo paraibano, jamais esquecerá a sexta-feira 24 de Agosto de 2012. Era cedo quando a jovem se preparava para ir para mais um dia de trabalho, quando recebeu um telefonema. Do outro lado estava uma tia, com quem foi praticamente criada. A tia da jovem dizia que estava com problemas de saúde e que precisava dos cuidados da sobrinha. A jovem pegou uma mototaxi e se dirigiu para a casa da tia. A partir daquele momento, a jovem viveu até a manhã deste domingo (26), os piores dias de sua vida.

A narrativa que você vai acompanhar a seguir é da tia da jovem que, preferiu não ser identificada:

Quinta-feira (23 de Agosto)

“Era logo cedo, umas 5 horas da manhã quando ouvi alguém chamando na porta. Aí eu fui até a porta e perguntei àquele homem o que ele queria, e ele disse que queria falar com minha sobrinha. Eu expliquei para ele que ela não estava, foi quando ele me pediu para ligar para ela. Eu disse que não tinha como ligar, mas ele continuou insistindo. Aí ele  viu que não tinha ninguém olhando e sacou o revolve, em seguida já foi me pegando pelos cabelos e dizendo: “- Entra cachorra”. Eu perguntei o que é isso? aí ele falou: “- você vai ligar para sua sobrinha e mandar ela vim para cá, se não eu mato você e toda sua família.” Eu ainda não estava entendo o que estava acontecendo, só depois foi que ele disse que se ela não fosse sua namorada, também não seria de mais ninguém.
 
A partir daquele momento ele passou a ameaçar eu, meu esposo e meus três filhos. Não consegui falar com minha sobrinha, por isso ficamos o dia inteiro na mira do revolver sendo ameaçados a todo instante. A noite ele nos trancou e disse que ia até a casa do meu cunhado pegar minha sobrinha. Para sorte dela, nesse dia ela demorou voltar do trabalho. Passado um tempo ele retornou e voltou a ameaçar toda minha família.

A todo instante ele dizia que se a gente avisasse a alguém o que estava acontecendo, ele nos mataria. Para não dormir, ele tomou um remédio e me obrigou a toma-lo também. Da quinta para a sexta, ficamos acordados a noite inteira.

sexta-feira (24 de Agosto)

Assim que o dia amanheceu o Roni voltou a insistir para que eu ligasse para minha sobrinha e a chamasse para a minha casa. Ele me deu o telefone dele e com o revolver na cabeça do meu filho de apenas um ano de idade, me mandou ligar para minha sobrinha e dizer que estava doente e que precisava dela na minha casa. Temendo que ele atirasse no meu filho eu resolvi ligar para ela. Quando ela atendeu ele colocou o revolver na minha cabeça e disse que eu tinha que mandar ela vim para minha casa; aí eu disse que estava passando mal e que precisava dela. Minutos depois ela chegou em uma mototaxi. Eu ainda dei sinal para ela voltar, mas ela não entendeu. Ao entrar na minha casa, já foi pega pelos cabelos e arrastada para um canto. 

A partir daquele instante ela ficou o tempo todo na mira do seu revolver. Ele perguntava a ela o que os outros tinham que ele não tinha; porque que ela não queria namorar com ele. Foram momentos de pânico e nada podíamos fazer.  Ela agia feito um louco. Estávamos todos com medo.
Houve um momento em que ele começou a tirar a roupa dela para ter relações sexuais, aí ela disse que estava em período de menstruação. Quando ele percebeu que era verdade deu um chute na vagina da minha sobrinha que o sangue escorreu por sua perna. Além de torturar ele machuca muito ela.

Pior de tudo era ter que disfarçar quando alguém vinha em minha casa. Quando isso acontecia, ele se trancava no banheiro com minha sobrinha e dizia que se percebesse algo estranho mataria todo mundo. Até meu cunhado, pai dela, veio em minha casa preocupado com sumiço dela e eu tive que dizer que não sabia. Foi muito difícil.

Já desesperada e temendo uma tragédia na minha casa, minha sobrinha resolveu entrar no jogo e passou a dizer que queria viver com ele. Ela dizia que queria ir embora com ele. Foi quando ele disse que precisava de dinheiro e que eu fosse tomar emprestado com alguém. Ele ficou com minha família refém, enquanto eu saí para conseguir o dinheiro para os dois irem embora. 

Quando voltei com o dinheiro entreguei a ele; um taxi foi chamado e os dois, minha sobrinha e o acusado, foram embora para Guarabira. Pensava que nunca mais ia ver minha sobrinha com vida (choro).

Quando ele estava saindo com ela, a ordem foi para não contarmos nada para a polícia, se isso acontecesse, ele a mataria e depois viria matar a gente. Ficamos a noite toda da sexta pensando o que fazer; porque até então os pais dela não sabiam de nada.

Sábado (25 de Agosto)

De Guarabira ele ficava nos ligando e nos ameaçando para não contarmos nada para a polícia. A tarde ele me ligou e disse que tínhamos que levar roupa para ela, porque ele iria fugir para outro estado com minha sobrinha. Foi quando resolvemos arriscar e contar tudo para os pais dela e para a polícia.” Narrou a tia.

 O delegado Dr. Formiga, plantonista do dia em Solânea, após ouvir o relato da tia da jovem, acionou o serviço de inteligência do 4º BPM-PB que, em um trabalho conjunto com a polícia inteligente da 3ª Superintendência da Polícia Civil, através do GTE, iniciaram as buscas pelo paradeiro da jovem e do acusado na cidade de Guarabira-PB.

Domingo (26 de Agosto)

Enquanto estava na mira do criminoso, aproveitando um minuto de distração, a jovem conseguiu ligar para a tia e informar que estava na casa de um cunhado do acusado, com o nome de Coca. “A partir desta informação nós identificamos o Coca que, também cumpre pena no semiaberto e passamos a monitorar a residência do suspeito. Coca que é casado com uma irmã do Roni, saiu de casa no início da tarde deste domingo e distante um pouco de sua residência, policiais que estavam de prontidão o abordou e questionou se Roni e a jovem estavam em sua casa. Coca confirmou, mas negou que a jovem estivesse ali contra a vontade. Na verdade nem Coca, nem a esposa, sabiam o que estava acontecendo.” Contou o agente de investigação integrante do GTE, Pereira.

A casa, localizada na Rua José Américo, no bairro do Nordeste, foi cercada por policiais e o plano de resgate colocado em ação. “O que temíamos naquela hora, era que, armado com o revolver, o criminoso pudesse reagir e acabar disparando contra alguém, ou mesmo tirando a vida da jovem. Foi por isso que levamos horas planejando como entraríamos na casa para resgatar a jovem com segurança.” Lembrou o Agente Pereira.

A ação da polícia foi precisa. A jovem foi resgatada e sem que houvesse tempo para reagir, Roni foi preso. A polícia ainda apreendeu a arma, um revolver calibre 38, usada durante o cárcere privado, com seis munições intáctas.

Na delegacia a jovem chorava copiosamente e mesmo sem forças, relatou à polícia parte do que viveu durante os três dias nas mãos do criminoso.

“Ele dizia que, se eu deixasse a irmã e o cunhado, perceber o que estava acontecendo eu morreria. No sábado, a irmã dele insistiu para eu ir à feira com ela. Ele permitiu, mas disse que se eu contasse alguma coisa para ela, ou fugisse, ele iria até Solânea e mataria toda minha família. Durante os dias que fiquei em Guarabira ele dizia que o revolver estava com seis balas e que iria disparar todas em mim, depois iria colocar outras duas para se matar. Ele me beijava e chegou a me obrigar a masturba-lo.” Contou a vítima.

Ao puxar a ficha criminal do acusado, a polícia descobriu que Ronivon já cumpriu pena e é fugitivo da justiça. Contra ele há um mandado de prisão em aberto por deixar de cumprir o semiaberto e ainda participou de algumas ações criminosas na região, como o roubo a agência dos correios da cidade de Pilõesinhos, na região metropolitana de Guarabira, ocorrido há poucos dias. Nessa ação criminosa, Roni estaria com um comparsa identificado apenas como Júnior.

Em uma conversa com nossa reportagem, o acusado negou tudo e disse que a jovem estava com ele porque o ama. Quando perguntado se ele seria capaz de matá-la, ele foi enfático em responder: “- Como eu poderia matar a mulher que eu amo!”. A vítima revelou que há cerca de três anos vem sendo perseguida e ameaçada por Roni.

Dr. Fábio Fachiollo, delegado de polícia civil, disse que o acusado pode responder por Sequestro e cárcere privado, estupro, porte ilegal de arma e outros crimes. A pena pode chegar há mais de 20 anos.

Por Júnior Campos
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